Entre a vida e a morte. Lugar silencioso,
perturbando-me os ouvidos.
Suave fragor intriga-me a alma, convida-me a segui-lo.
Dança macabra, sem ritmo, sem companhia, sozinho na escuridão, valsando a luz
da lua.
Sombras chamam-me a atenção, desformes e medonhas, se estiram pelo chão.
A musica para, assim como minha dança, trazendo de volta o silencio.
Tão perturbador!
Incita-me a pensar, a adentrar em meu ser, a conhecer-me melhor.
Silêncio infeliz!
Empurra-me para algo que tanto evitei encarar a realidade.
Sozinho outra vez, com meu coração entre os dedos, observo minha mente vaguear,
entre cada pensamento, entre cada lembrança.
Doces e cruéis lembranças!
Despertam meus sentimentos, emoções aflorando, fazendo-me lembrar de minha
vida, da minha morte.
Para onde ir? O que fazer?
Quando se esta entre vida e a morte?
Fantasmas me rodeiam, me assustam e apavoram. Trazem-me sensações terríveis.
Dentre eles, um singular me desperta curiosidade.
Fantasma de mim mesmo.
Tudo que já fui, e ansiei ser, agora vagando diante meus olhos.
Quando isto terá fim?!
A morte se aproxima, como flores murchas, cada pedaço de mim morre, meu corpo
se decompõe letargicamente, enquanto assisto petrificado.
Minha alma renasce! Dentre os escombros de minha morte, renasce como a fênix
dentre as cinzas.
Brilhante e pura imaculada e perfeita.
Criação divina.
Estende-me a mão, e assim eu a acompanho, na jornada pela vida eterna.
Adeus fantasmas.
Andrei

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