sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Leia-me


12 de dezembro de 2000.
De um lugar distante e escuro.
Estou com medo, não sei onde estou. Tudo esta escuro, tudo em mim dói. Sinto emoções brotando a esmo, sentimentos diversos surgindo sem motivo aparente... Tudo tão confuso. Onde você está? Pode me ajudar? Estou me escondendo de vultos e criaturas, lutando para sobreviver, mas não há comida, não há agua, não há lugar seguro para descansar, nem ao menos há com quem contar... O que aconteceu? Por que estou aqui? Deve ser um castigo. Minha memória esta embaralhada, turva e fragmentada, não me lembro de muito, mas me lembro de você... De nós. Lembro como costumávamos sentar juntos na varanda e ver o pôr do sol abraçados, lembro como passávamos horas conversando enrolados em cobertas nos dias de frio, lembro também das muitas vezes em que tínhamos problemas, brigávamos.... Mas sempre resolvíamos juntos. Sinto sua falta muito mais do que imagina, dói sempre que memórias assim voltam à mente, pois percebo que tudo isso está muito longe de mim, e que eu estou de longe de você. Querido, estou fazendo tudo que posso para entender, para sobreviver e te encontrar, só peço que espere por mim, que a todo fim de tarde se lembre de mim, e que toda manha, me sinta perto do seu coração, pois estaremos juntos em breve, eu acredito nisso... Tenho que acreditar, pois é isso, é você que me dá forças para tentar sair desse pesadelo.

Te amo.

Su.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Uma Carta Pra Você.

Deserto do outro lado, 20 de junho de 2010.



Nada faz sentido, tudo parece distante. Ouço passos, vejo luzes e sombras... Não é você. Pessoas vêm e vão sem ao menos olhar para o lado, não vêm esse lado.
Atormentada com pensamentos aterradores e com imagens assustadoras, apavorada demais para perceber as coisas boas, desconfiada demais para acreditar que mudara. Encolhida aqui pondero minha opções: Quais são as chances? Quem entenderá? Você entende? Consegue me ajudar? Terá paciência? Acho que te peço demais. Tenho que ser capaz de resolver sozinha, enfrentar meus demônios um por um, e saber que não há príncipes de armadura reluzente e eles não vêm em cavalos brancos. Cada um por si. Pessimista demais? Talvez seja o que pensa, mas com isso somente quero gritar ao mundo tudo que sinto, tudo que descobri ao longo dos anos e experiências. Não sou mais uma garotinha, porém não sou mais experiente que você ou ninguém, mas com certeza tivemos experiências diferentes.
Já foi obrigado a engolir as palavras que queria muito dizer? Foi ensinado a manter as aparências e tolerar tudo que não concorda? Creio que não. São de padrões e ensinamentos equivocados que hoje luto para me libertar. Magoas no passado e ações impulsivas que determinaram meu futuro quando eu não entendia, não sabia o que era, o porque daquilo, tão pouco o motivo, mas a cada dia, algo dentro de mim morria... Minha fé na justiça, minha confiança nas pessoas, meu respeito pelos homens... Minha esperança de ser diferente. Hoje, você pode não entender o porquê dessa escuridão que vê nos meus olhos, ou o nó que tenho em minha garganta. Pode até dizer que não foi nada, que tudo podia ser pior e que tenho que seguir em frente... Tem razão, mas não menospreze a dor de ninguém, pois somos diferentes, e sendo assim não reagimos igual aos mesmos estímulos.
 Desse lado a perspectiva muda às mascara caem, os erros aparecem... Nada é o que parece. E dentre tudo isso fica muito difícil ver, acredite em mim. Mesmo desse lado, comecei a forçar meus olhos, a treinar meus ouvidos, e ver algo de bom na vida, em mim e em todos que me rodeiam. A voltar a sentir amor por mim mesma, amor pelo próximo, amor pela minha vida, por estar viva. De todos que passaram por mim, só com você comecei a tentar, comecei a lutar e parar de me esconder. Mesmo que ache meus esforços insignificantes, ou pouco eficazes, continuo indo em direção ao desconhecido por mim, ao futuro que posso ter as opções e que posso escolher... A caminhar sozinha. Notei que ‘culpa’ é uma palavra no dicionário para responsabilizar alguém por um erro nosso, e sendo assim só posso culpar a mim mesma por estar desse lado hoje. Muitos tentaram me ajudar, gritaram, puxaram e jogaram cordas, mas ao meu redor, em meu ser, nada se movia, o deserto continuava tão árido como sempre. Até mesmo pessoas de outros lados me empurraram, usaram magica e truques, mas nenhum obteve sucesso de mudar minha realidade. Sendo assim, fique em paz, saiba que fez tudo que podia, e que agora vou caminhar sozinha... Adeus.

Ao meu querido do outro lado.

Su.

(Nádia  Ramos.)