quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Conquista da Liberdade

Um dia triste nublado e chuvoso típico do inverno. Ele subiu na montanha mais alta, enquanto seus olhos lamentavam a sua decisão. 
- É isso. Aqui é onde minha história termina. - Disse ao chegar, decidido e carregado de raiva.
Jason estava a um passo para tirar a própria vida. No topo de uma montanha, ele olhava de la de cima se perguntando se era alto suficiente para lhe causar uma morte rápida. 
A cena era própria de um filme de drama, sua vida era o roteiro, que lhe dizia que tudo tinha de terminar. Observando a vastidão do abismo a sua frente, ele se deixou levar por lembranças melancolicamente.
Lembrou-se de sua infância, de como sempre fora isolado do mundo pelos pais super-protetores, de como eles os tratavam como uma criança débil e incapaz de tomar decisões ou fazer amigos. Lembrou-se de todas as escolhas erradas que ele deixou que fossem tomadas por ele, por inércia. De como sua vida fora pautada pelo gosto dos pais, o forçando a viver seus sonhos, seus quereres, modificando sua personalidade, reprimindo talentos e lhe tirando o direito de expressão. Lembrou-se o quanto tentava agradar os pais se obrigando a ser quem eles queriam que ele fosse, mesmo que isso o machucasse por dentro. A cada sorriso forçado, a cada ato comandado, uma parte dele morria lentamente. Tudo em vão, pois seus pais nunca lhe aprovaram, sempre havia algo para reclamar, para corrigir, para melhorar, frustrando assim cada tentativa dele. 
Então lembrou-se de seu primeiro amor, Andreia. Uma simples vendedora de flores na praça, mas que com um sorriso roubou-lhe o ar. Lembrou o quanto lutara para estar ao lado dela, enfrentando os pais, brigando para reverter anos de submissão e ser livre. Lembrou-se de quando notou que tudo fora em vão, pois Andreia morrera, e foi pelas mãos de seus próprios pais. Eles contrataram um assassino profissional para tirar a vida da mulher que amava, o privando de sua companhia e um possível futuro ao lado dela. 
Tudo que fizeram pela vaidade de criar uma marionete para que controlassem como bem queriam. Nunca se importaram com o que ele sente, em como se sentia. Não, estavam ocupados demais vivendo a vida que roubaram para si.
Mas nada disso teria sentido em apenas um passo, pois seria esse que lhe salvaria de viver, que o libertaria dessa prisão sem grilhões. 
Com lagrimas mistas nos olhos, de felicidade à sensação de liberdade... Ele pulou.

Nádia Ramos
04/02

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