
Terra escura, noite fria.
Coração de pedra levo comigo, tão gelado quanto o vento do inverno que sinto.
Ódio estagnado, magoas em minhas entranhas, nada muda há séculos.
Um imortal, vivendo pesadamente arrastando meus pesares, minhas lembranças.
Mente agitada, com emoções revoltas, meu medo invicto.
Nada mais me faz sentido, tudo perdeu a graça.
A morte me é atraente, torturas me parecem brincadeiras,
E a eternidade um verdadeiro castigo. Meu crime?
Amar perdidamente e sonhar sem limites.
Sonhei com dias mais belos, buscava alegrias duradouras.
Amei imensamente. Desejava tê-la para mim e faze-la a mulher mais feliz do mundo!
Mas tudo me foi cruelmente roubado. Minhas esperanças despedaçadas.
Com dois tiros me roubaram o amor, em alguns segundos levaram os minha alma.
Sim, ela se foi. Tomada de mim, sem dó ou compaixão, apagando o futuro que tínhamos juntos.
Isso parece que foi há séculos atrás. Há tantos anos que mal pude aguentar. Há mais dias do que pude contar.
E desde então, estou fadado a viver para sempre, vazio e rancoroso, planejando a minha vingança.
Acusam-me de insensível, gélido. Porque não veem a minha dor, nem minhas tantas lagrimas ou o minhas feridas.
Após tantos anos, já não sou aquele de outrora. O tempo encarregou-se de mudar-me.
Dedicou-se a moldar-me impiedosamente, com os flagelos dos dias.
E hoje sou mais insipido do que jamais fora. Mais forte do que jamais pensei ser.
Meus vazios não serão jamais preenchidos, pois este sempre será o lugar dela. Aind a amo.
De um vampiro sombrio.
Andrei
Nádia Ramos.
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