quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Uma Carta Pra Você.

Deserto do outro lado, 20 de junho de 2010.



Nada faz sentido, tudo parece distante. Ouço passos, vejo luzes e sombras... Não é você. Pessoas vêm e vão sem ao menos olhar para o lado, não vêm esse lado.
Atormentada com pensamentos aterradores e com imagens assustadoras, apavorada demais para perceber as coisas boas, desconfiada demais para acreditar que mudara. Encolhida aqui pondero minha opções: Quais são as chances? Quem entenderá? Você entende? Consegue me ajudar? Terá paciência? Acho que te peço demais. Tenho que ser capaz de resolver sozinha, enfrentar meus demônios um por um, e saber que não há príncipes de armadura reluzente e eles não vêm em cavalos brancos. Cada um por si. Pessimista demais? Talvez seja o que pensa, mas com isso somente quero gritar ao mundo tudo que sinto, tudo que descobri ao longo dos anos e experiências. Não sou mais uma garotinha, porém não sou mais experiente que você ou ninguém, mas com certeza tivemos experiências diferentes.
Já foi obrigado a engolir as palavras que queria muito dizer? Foi ensinado a manter as aparências e tolerar tudo que não concorda? Creio que não. São de padrões e ensinamentos equivocados que hoje luto para me libertar. Magoas no passado e ações impulsivas que determinaram meu futuro quando eu não entendia, não sabia o que era, o porque daquilo, tão pouco o motivo, mas a cada dia, algo dentro de mim morria... Minha fé na justiça, minha confiança nas pessoas, meu respeito pelos homens... Minha esperança de ser diferente. Hoje, você pode não entender o porquê dessa escuridão que vê nos meus olhos, ou o nó que tenho em minha garganta. Pode até dizer que não foi nada, que tudo podia ser pior e que tenho que seguir em frente... Tem razão, mas não menospreze a dor de ninguém, pois somos diferentes, e sendo assim não reagimos igual aos mesmos estímulos.
 Desse lado a perspectiva muda às mascara caem, os erros aparecem... Nada é o que parece. E dentre tudo isso fica muito difícil ver, acredite em mim. Mesmo desse lado, comecei a forçar meus olhos, a treinar meus ouvidos, e ver algo de bom na vida, em mim e em todos que me rodeiam. A voltar a sentir amor por mim mesma, amor pelo próximo, amor pela minha vida, por estar viva. De todos que passaram por mim, só com você comecei a tentar, comecei a lutar e parar de me esconder. Mesmo que ache meus esforços insignificantes, ou pouco eficazes, continuo indo em direção ao desconhecido por mim, ao futuro que posso ter as opções e que posso escolher... A caminhar sozinha. Notei que ‘culpa’ é uma palavra no dicionário para responsabilizar alguém por um erro nosso, e sendo assim só posso culpar a mim mesma por estar desse lado hoje. Muitos tentaram me ajudar, gritaram, puxaram e jogaram cordas, mas ao meu redor, em meu ser, nada se movia, o deserto continuava tão árido como sempre. Até mesmo pessoas de outros lados me empurraram, usaram magica e truques, mas nenhum obteve sucesso de mudar minha realidade. Sendo assim, fique em paz, saiba que fez tudo que podia, e que agora vou caminhar sozinha... Adeus.

Ao meu querido do outro lado.

Su.

(Nádia  Ramos.)

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